Lista

≠ Na Colômbia faz frio e também muito calor;

≠ Os paisas são as pessoas mais amáveis que podem haver na face da terra;

≠ É bom escolher o restaurante que você quer jantar, mas é chato jantar sozinho;

≠ O transporte de Medellin é muito eficiente;

≠ Um ônibus intermunicipal pode te custar 23.000COP se você pegar ele na rodoviária, e 10.000COP se pegar na próxima quadra;

≠ Walking tours e bike tours valem super a pena;

≠ Fazer novas amizades às vezes pode ser difícil;

≠ Fazer novas amizades às vezes é tão natural, que você nem percebe que acaba de ganhar um novo amigo;

≠ Os costeños falam um espanhol paralelo;

≠ A sorte tem andado do meu lado nesta viagem;

≠ Crianças são os seres mais verdadeiros que podem existir;

≠ Arepa de chocolo com queijo e leite condensado são um ótimo lanche pós trabalho;

≠ Cervejas me fazem companhia;

≠ Às vezes espero que alguém sente na minha mesa e comece a conversar comigo;

≠ Acredito que tive a melhor escola de espanhol possível;

≠ Viajar sozinha não me dá medo;

≠ A lancha até a praia Cristal me dá um pouco de medo;

≠ Trabalhar 1 ano e meio pra viajar 3 meses é um ótimo plano;

≠ Eu me apaixono por lugares à primeira vista;

≠ Assisti um dos nasceres do sol mais lindos da minha vida no voo de Bogotá para o Panamá;

≠ Eu vi o Oceano Pacífico pela primeira vez;

≠ Ônibus em Lima não são pensados para pessoas com mais de 1,65m;

≠ Minhas unhas ficaram negras em Lima;

≠ Me sinto adulta pedindo vinho pra acompanhar o jantar. Mas na verdade é só pra esquentar;

≠ Às vezes me dá preguiça de começar uma conversa com alguém que não fala espanhol;

≠ Eu queria não precisar me preocupar ao dizer que eu viajo sozinha;

≠ A saudade tá doendo como nunca antes;

≠ Sou campeã em perder garrafas de água;

≠ Vi neve pela primeira vez;

≠ Sobrevivi a estrada da morte;

≠ Tenho saudades de escutar o sotaque paisa;

≠ Cholitas têm um cheiro muito peculiar;

≠ O tour no Uyuni me mostrou algumas das paisagens mais lindas que já pude ver na vida;

≠ Às vezes finjo entender o que alguns europeus falam, porque com o sotaque de alguns é impossível entender o inglês;

≠ O céu estrelado em Puno e no Uyuni (laguna Colorada) são de tirar o fôlego;

≠ La Paz me surpreendeu.

Observações e pensamentos anotados de forma aleatória durante minha viagem pela Colômbia, Peru e Bolívia em 2016.

Entre caminhos

Com as músicas e os pensamentos eu caminho pra longe do próximo destino. Imagino vidas que eu poderia levar e elas parecem loucas, mas “me gustan”. Eu escolho em qual esquina virar e onde vou passar a próxima noite. Eu fujo de museus e aproveito alguns dias a mais a ver o mar. Liberdade. Também caminho até minha casa, vejo todo mundo que me desperta saudade e volto pra onde estou. Isso tudo em poucas horas. Eu viajo sozinha. Eu nunca estou sozinha. Ruas, vendedores, viajantes, cachorros e mesas para uma pessoa me fazem companhia. O céu e o mar também me fazem companhia. Assim como diz Ela que também me faz companhia por aqui: Eu sinto prazer de ser quem eu sou e de estar onde estou.

Arepas y empanas y bandeja paisa y sancocho y arequipe y as delícias da Colômbia

Se fosse pra definir a comida mais famosa da Colômbia sem dúvida alguma eu diria que é a arepa. Mas a Colômbia, ou pelo menos Medellin, é muito mais do que uma arepa branca ou de choclo. A arepa é um disco feito de milho e geralmente está por todas as refeições. Se fosse comparar com algo no Brasil, a arepa é tipo o pão: tem no café da manhã, almoço, lanche da tarde e até no jantar. Como eu disse, a arepa é uma massinha leve feita de milho e que é colocada na chapa para comer com queijo, manteiga, queijo e leite condensado (delícia) ou com o que agradar. Eu particularmente gosto muito de arepa e já sei que vou sentir falta quando voltar pra casa 😦
Mas vamos lá! Como eu disse, a Colômbia tem muitos sabores e até agora todos me agradaram muito. Como vivo em uma host family, aqui tenho tido minhas melhores experiências gastronômicas, afinal a Patrícia (minha host mom) cozinha super bem e eu venho comendo e experimentando tudo o que ela prepara. 

O prato típico aqui de Medellin se chama “Bandeja Paisa” que consiste em: arroz, feijão com plátano verde, carne moída, torresmo, linguiça, ovo, plátano maduro, abacate e arepa. É pesado mas é bom pra caramba! Eu só esqueci de tirar foto desse prato, mas em breve atualizo aqui. Café da manhã: arepa, queijo, manteiga e achocolatado com água panela.

 Sancocho: carne, aipim, batata, plátano. Também tinha abacate mas não saiu na foto.

 A nossa feijoada na versão colombiana.

 
Banana com goiabada, queijo e arequipe.

Algumas experiências gastronômicas que eu descreveria como curiosas:

– Aqui vendem rapadura para fazer “água panela”, ou seja, é uma água docinha a qual é usada pra muitas coisas. Na minha casa usamos no lugar do leite, por exemplo, pra fazer com achocolatado. Colocamos água panela e só um pouquinho de leite. Aí batemos bastante e fica como um chocolate quente cremoso. 

– Frango frito com mel: Sim, é bom! Fui no Frisby (uma rede de frango frito aqui da Colômbia) e servem frango frito com sachês de mel. No KFC, da mesma forma. Eu gostei muito! 

– Plátano verde, plátano maduro, patacones, banana: uma variedade de bananas tanto no supermercado como na forma de preparar. O plátano parece a nossa banana da terra mas é maior, mas aqui também se come quando está verde. Patacones são feito de plátano verde. Amassamos o plátano verde e fritamos por duas vezes pra que chegue na consistência certa. E a banana aqui também se come frita ou ao natural.

– Onde tem feijão também tem abacate.

Algumas coisas mais:

– Apesar de ser mundialmente famoso, o café daqui, pra mim, ainda não superou o bom café passado da minha mãe no Brasil. 

– Arequipe é doce de leite, ou seja, é bom de todas as formas!

– Pra mim empanadas equivalem a nossa coxinha, ou seja, gordurosas mas deliciosas. 

– A Colômbia tem uma variedade imensas de frutas que nunca havia visto no Brasil e ainda não consegui provar todas, mas estou no caminho.

Que fome!

Até logo 🙂

Marina

Por mais 5 primeiras semanas como esta.

Ontem completei minha primeira semana aqui e as coisas não poderiam estar melhor. Minha host family é muito querida, sempre me ajudando, me levando para conhecer lugares novos e ensinando muito sobre a cultura local. Pic-nic no parque Arví com minha host family.

Essa semana comecei a trabalhar também. As crianças são uns amores. Cada uma com seu jeitinho: umas mais energizadas, outras um tanto envergonhadas, outras que perguntam de onde viemos e se amanhã voltaremos para a comunidade. Aqui em Medellin vou trabalhar de terça a quinta, apenas nas tardes com cerca de 30 crianças. É super tranquilo! Ainda mais agora que estamos em 14 intercambistas (Brasil, Peru, Bolívia, Panamá e Costa Rica). A ideia do projeto é que nenhuma criança é obrigada a participar, só vem para as atividades aqueles que querem. Planejamos para em cada semana trabalhar uma temática com as crianças, por exemplo: essa semana estamos divididos por países e em cada tarde fazemos atividades para apresentar às crianças um pouco sobre nossas culturas e realidades. Ah, também dividimos as crianças por idade, no caso, eu estou com as crianças de 3 a 6 anos. Estou ajudando a Maria José da Costa Rica pois ela é a única de lá, e brasileiros somos cerca de 8.  Bandeira da Costa Rica feita com as crianças.

O projeto acontece em um espaço da comunidade onde há um salão e mais duas salas de aula. Nesse mesmo local, há uma sala onde está a central de reciclagem da comunidade. A região se chama Iguana (lê-se Iguaná). É uma comunidade carente que nos anos 90 era reconhecida por ser uma região de muita violência. Hoje em dia já é uma região pacificada onde moram muitas famílias, e por consequência há muitas crianças.  Uma pequena parte da Comunidade Iguana. À esquerda está o prédio onde trabalhamos com as crianças (amarelo)

Hoje, quinta-feira, encerramos a semana cultural com as crianças. Para tanto, estamos preparando uma feira cultural. Com os trabalhos das crianças e umas coisas mais, montamos um estande para que todos passeiem pelos países e conheçam um pouco mais sobre os seus vizinhos latinos. Assim que tiver fotos da tarde de hoje, vou divulgando para acompanharem.  

Até logo 🙂

Marina 

O meu agora 

Há 4 dias começou uma nova experiência pela qual vinha planejando há pouco mais de 1 ano. Tudo começou na minha volta pra casa após a experiência incrível que foi viver a Índia. Uma vez que vemos o mundo “aqui fora”, é difícil se convencer de não visitá-lo mais uma (duas, três, quatro…) vezes. O sentimento que tenho é que não posso deixar de viver o agora, e isso basta para me convencer. O meu agora é essa vontade de viver o diferente, poder escolher onde estarei na próxima semana, experimentar sabores novos, observar olhares distintos. E como sempre, o meu agora é aprender. Com um pouco de medo, com muita saudade, com erros e acertos, mas aprender sempre.

No dia 06 de janeiro, eu e meus 11kg na mochila chegamos a Colômbia. Na cidade de Medellin vou novamente trabalhar em um projeto social através da AIESEC, atuando na área de educação infantil junto à comunidades em situação de vulnerabilidade. Depois do projeto concluído, sigo para o Peru e Bolívia. Então em meados de abril volto para o Brasil.

 

Hasta luego 🙂
Marina

A Índia me fez sentir, e sentimento a gente não explica.

Eu sempre penso em escrever sobre os meus últimos dias na Índia, afinal foram dias incríveis: Mochila nas costas, 36 horas em um trem, longas noites dentro de ônibus (que totalmente valeram a pena), 7 cidades em 17 dias, paisagens que eu ainda vou ver de novo nessa vida, pessoas com um coração gigante pelo caminho… mas algo parece não me deixar fazer isso. E acho que eu entendi o recado: Pra mim, colocar em palavras os “últimos dias” é como colocar um ponto final em algo que nunca vai ter fim. A India foi um início (de vida, de consciência, de sentimentos, de possibilidades) e pra mim nunca vai ter fim. Tudo o que eu vi e vivi naqueles 72 dias foram coisas que eu jamais poderia imaginar e que eu nunca vou conseguir traduzir para os que me perguntam sobre essa experiência. A Índia me fez sentir, e sentimento a gente não explica.

Olhar as fotos, contar histórias, lembrar das primeiras impressões e dos últimos momentos é algo que as vezes dói. Não porque eu fico triste mas porque eu sinto saudade, eu sinto muita saudade. Uma saudade boa. Uma saudade de tudo e de todos.

Eu sinto que em algum momento (ou durante aqueles 72 dias), a Índia me desconstruiu e reconstruiu. Foram momentos em que eu não me reconhecia, mas de repente descobri que aquele era o meu verdadeiro eu. São muitos pensamentos. Muitas lembranças. Sentimentos pra carregar pra sempre no peito. É como se dentro de uma mochila eu carregasse um monte de coisas soltas que se bagunçaram no meio do caminho, mas se eu parar e olhar pra elas, eu sei exatamente onde as encontrei e porque estão ali. E se em algum momento eu me vejo perdida, eu pego a minha mochila e dou uma olhada no que tenho lá dentro. E isso me faz bem, e isso me basta.
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Happy Hampi!

Viajar sem saber saber o que nos espera é arriscado, sim concordo. Mas dessa vez, foi um risco que valeu muito a pena. Na sexta-feira a noite pegamos (nós, 12 intercambistas) um ônibus rumo a Hospet. De lá, seguimos de tuk tuk as 4h da manhã para Hampi. Tivemos uma super sorte de nos deparar com “auto guys” super bacanas que nos ajudaram a contatar o hostel para que pudéssemos descansar até o sol nascer.

Sobre o lugar que ficamos hospedados, eu diria que Hampi é uma vila muito, mas muito simpática. Eu de fato me apaixonei por aquela cidade. Me lembrou em alguns momentos as vilas de praias no Brasil. Chão de terra, lojinhas, casinhas, restaurantes super aconchegantes (e baratos), vacas andando por alí a toda hora e claro, guias por toda parte querendo nos levar pra visitar a redondeza.

No sábado fizemos um tour pelos templos e ruínas de Hampi. Estradas de asfalto cercadas por árvores. Como alugamos motocicletas para fazer o tour, a sensação foi ainda melhor. Uma brisa leve e uma vista incrível a cada curva. BTW, aprender e dirigir uma motocicleta na Índia foi algo que eu nunca imaginei acontecer, mas aconteceu 😀

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No domingo o dia começou super cedo. Decidimos que iríamos assistir o nascer do sol do topo do monte Mathanga, e de fato fomos. Acordamos as 4:30 da manhã e subimos o monte por cerca de 40 minutos. Não consigo descrever o quão incrível foi assistir o nascer do sol lá de cima. O contexto claro, também ajudou: poder acompanhar o nascer do sol em pleno aniversário, foi meu maior presente. O sol nascendo, os macacos surgindo pelas pedras, o vento, a vista… Definitivamente gostaria muito que todos pudessem fazer isso pelo menos uma vez na vida, e se possível, no monte Mathanga.

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Depois do amanhecer seguimos pelo outro lado do rio. Mais uma vez alugamos motocicletas e visitamos o templo sagrado dos macacos e o lago Sanagar. O caminho para o lago é simplesmente incrível. Paisagens de tirar o fôlego e uma água bem fresquinha pra relaxar um pouco sob o sol da Índia.

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Depois de um fim de semana incrível, hoje deixo Hyderabad e sigo rumo ao norte. Eu e Fernando faremos um mochilão por Jodhpur, Jaisalmer, Jaipur, Agra, New Delhi e Amritsar.

Sabe quando aqueles pensamentos mais profundos e que você nunca imaginou que pudessem mesmo se tornar realidade, vem a tona? Então, é exatamente isso que estou vivendo aqui. Ter a oportunidade de conhecer e viver uma cultura tão rica, se apaixonar pelos pequenos que me ensinaram tanto durante estes quase dois meses, fazer amigos de todos os cantos do mundo e agora seguir em um mochilão pela Índia, quem diria… As vezes me pego pensando se isso é mesmo realidade ou se estou sonhando. Não sei exatamente o que fiz pra chegar até aqui, mas hoje me sinto mais feliz do que nunca. É tão bom poder caminhar pelas próprias pernas e trilhar meu próprio caminho. Isso não significa que cheguei aqui sozinha, mas sei que isso também só foi possível pois eu estava e estou disposta a encarar o que vem pela frente. Nem tudo são flores e é preciso lidar com isso estando preparado ou não.

Até logo 🙂

Marina